DIRETORES ASSOCIADOS

Angela Pieruccini
pieruccini@parceiros-consulting.com
Emmanual Gavache
gavache@parceiros-consulting.com

quinta-feira, agosto 05, 2010

PAÍSES DO BRIC: CHINA, POR EMMANUEL GAVACHE








Chefe de Estado: Hu Jintao
Primeiro Ministro: Wen Jiabao
Capital : Pequim
Superficie : 9 584 000 km2
População (hab.) : 1 320,6 milhões
Densidade Demográfica: 137 hab./km2
Crescimento (2007-FMI) : 11,5 %
Desemprego (2007-CIA) : 4 % em área urbana, superior à rural
Moeda : renminbi yuan (0,0917460 €)


A economia chinesa, após um formidável desempenho,reduziu sua marcha ao fim de 2007, depois de um ano onde as taxas de crescimento se aproximaram dos 11,5%.
A crise dos créditos hipotecados à risco (subprimes) nos EUA, a alta do preço do petróleo e a turbulência que atravessava o mercado financeiro mundial são fatores que impactaram sobre uma máquina econômica onde as fragilidades são numerosas, possivelmente como consequência de produzir tudo e da integração crescente no mercado mundial : o retorno da inflação e a “bolha” financeira são sinais luminosos que não podem ser ignorados.
Mas é necessário muito mais que isso para frear o mastodonte, transformado na segunda economia do mundo, se calculado o PIB em paridade com o poder de compra. A entrada de fluxos de moeda não mostra sinais de diminuição. Os investimentos diretos externos, de novo em fase ascendente, atingiram 62 bilhões de euros para os onze primeiros meses de 2007, fora os investimentos financeiros, contra 70 em 2006.

As autoridades chinesas querem privilegiar a qualidade neste domínio :o ministério do planejamento publicou um novo guia de investimentos estrangeiros, encorajando as empresas não-chinesas a escolher os setores de alta tecnologia e os serviços délocalisés (outsourcing) às indústrias extrativas ou com alto consumo de energia , apontou a Missão Econômica de Pequim. As orientações para as indústrias exportadoras são submetidas a um rígido controle, de maneira a limitar uma progressão das exportações.
Porque elas são robustas : o excedente comercial chinês atingiu 239 bilhões de euros nos onze meses de 2007. Ele havia terminado o ano de 2006 em 126,3 bilhões de euros. Os excedentes comerciais com a Europa e os EUA, que haviam literalmente explodido em 2005, continuaram se estabilizando em 2007. A contração do déficit chinês em relação à Ásia- principalmente Coréia do Sul e Taiwan, vitímas também de "délocalisations vers la Chine". Naquele ano houve uma contribuição significativa ao reforço da posição excedente da China, embora aumentando as importações de energia.
Em consequência, a China acumula reservas de câmbio mais de 1019 bilhões de euros no fim de Outubro, considerando os 136 bilhões de euros pertencentes ao CIC (China Investment Corporation), o novo fundo soberano lançado no fim de Setembro de 2007.
Em Maio, a China havia lançado um balão de ensaio – 2 bilhões de euros para uma parte no fundo de investimento americano Blackstone – julgado um pouco agressivo pelos ocidentais.
O CIC terá um papel estabilizador dentro de uma economia mundial maltratada pela crise das subprimes assegurou seu presidente. È assim que ele nos faz interpretar a participação do CIC na altura de 10% do capital de Morgan Stanley, em Dezembro do mesmo ano?
Convidadas à investir no exterior, as sociedades chinesas não tardaram na resposta: em Novembro, Ping An adquiriu 4,1% da seguradora belga Fortis. Huawei, equipamentos para telecoms, esta em vias de comprar a 3Com, ao lado do fundo americano Bain Capital, num projeto que suscita resistências nos EUA.
Investir no estrangeiro permite à China aliviar as pressões na sua economia, causadas pela superabundância de liquidez. Não ligado ao dólar, o yuan é todavia apreciado em 5%, numa associação à moeda americana , desde 2007. Sua revalorização é um ponto de fixação para americanos e europeus, que apontaram o dedo à China sobre isso no G7 de Outubro. Mas Pequim teme todas as mudanças bruscas que desestabilizem seu sistema financeiro.
Malgrado o aumento durante 8 vezes , pelo banco central chinês, da parte obrigatória de reserva dos bancos, a superliquidez fortalece o aquecimento da economia.Os bancos ultrapassaram o limite de 15% que lhes havia sido feito pelo crescimento de créditos, alimentando os investimentos produtivos, sempre mais elevados nas cidades, notadamente no setor imobiliário. Os preços por metro quadrado continuam subindo em numerosas cidades chinesas, mesmo se Shanghai confirma uma baixa.

A poupança chinesa também deslocou-se para vias de investimentos mais lucrativos – e bem mais perigosos- a Bolsa. Depois de 130% de alta em 2006, o índex composto de Shanghai conheceu uma progressão de duas cifras em 2007. Malgrado os violentos golpes : em fevereiro um mini-crack em Shanghai provocou impacto no resto do mundo, sinal da entrada em cena de uma nova e importante Bolsa no mundo do capital de ações.
A crise de subprimes também deprimiu as ações A (àquelas que são cotadas em Shanghai e acessíveis unicamente aos chineses). Em Outubro, o índex atingiu um novo record de alta, antes de declinar 20% em Novembro.
Depois dos bancos em 2006, ocorre a introdução na Bolsa dos gigantes da energia (Petrochina), que « dopa » as cotações. Os economistas estimam o efeito de riqueza beneficiando o consumo interno, notadamente os produtos de luxo. Mas expõe a classe média emergente à um regresso de matiz doloroso- potencialmente desestabilizante para o poder em curso.
A inflação se acelerou em 2007- em novembro ela atingiu 6,9% - a mais alta dos últimos dez anos. Os preços da alimentação elevaram até 30% para os legumes e 56% para a carne de porco. Mesmo que as autoridades tenham anunciado uma inflação máxima de 3% em 2007, ela atingiu 4,6%, contra 1,5% em 2006.
Um déficit para o governo, a despeito da alta dos rendimentos nas cidades e no campo. As tensões sociais estão vivas na China e preocupam um partido comunista que tira sua legitimidade da capacidade de fazer crescer a economia.
Uma nova lei sobre o contrato de trabalho foi aplicada a partir de Janeiro de 2008, restringindo certos abusos, fazendo com que as usinas preocupem-se com o recrutamento da mão de obra à bom preço, aumentando seus custos. O recrutamento nas universidades progride bem mais depressa que a criação de empregos qualificados, e um grande número dos 5 milhões de jovens diplomados em 2007 não encontraram trabalho ou aceitaram empregos menos qualificados.
No campo, porém também nas cidades, terras e casas/apartamentos são adquiridos por predadores privados, em acordo com os poderes locais. Mas as resistências são mais e mais presentes, como ilustrou em março de 2007 o combate de um casal de Chongqing, defendendo até o fim sua propriedade- a casa "tête de clou", como foi designada pela imprensa chinesa, normalmente muito discreta sobre esse gênero de acontecimentos.

O ano de 2007 foi também o ano do 17e Congresso do Partido Comunista e Hu Jintao, sem surpresas, consolidou seu poder fazendo progredir o sucesso às custas da “banda de Shanghai”, leal à seu predecessor. Dois herdeiros potenciais surgiram: Xi Jinping e Li Keqiang, que acederam ao todo-poderoso comitê permanente do partido, composto de nove membros.

Através dos JO de Pequim em 2008, a equipe dirigente, buscando « uma sociedade harmoniosa » procurou minimizar os riscos diante do Ocidente. Portanto em 2007 ocorreu um acentuamento da repressão, notadamente ao encontro do movimento de direitos cívicos: como exemplo, os “advogados de pés nus” são aprisionados ( o advogado Cheng Guangcheng), ou detidos em sua residência (o militante Hu Jia).
A idéia de um boicote aos JO atingiu o ápice em março de 2008, quando o governo chinês reprimiu com sangue uma série de manifestações de tibetanos em Lhassa, ocasionando uma centena de mortes. Em detrimento da « via moderna » desenvolvida pelo chefe espiritual, que cessou de reinvindicar independência em prol de uma simples autonomia.Os manifestantes tibetanos quiseram aproveitar a proximidade dos Jogos para denunciar um genocídio cultural, do qual se julgam vítimas desde 50 anos, buscando obter dos democratas ocidentais uma condenação clara da ocupação chinesa.

No estrangeiro, o dossiê ambiental irrita tanto quanto o das liberdades. A China tornou-se em 2007 o primeiro emissor de gases que prejudicam o planeta. As crises ecológicas se multiplicam – em maio de 2007, a destruição do ecossistema do Lago Taihu, perto de Wuxi, privou dois milhões de pessoas de água corrente.

Em ecologia, como na economia, a China...satura.

EMMANUEL GAVACHE

quarta-feira, julho 28, 2010

PAÍSES DO BRIC: RÚSSIA, POR EMMANUEL GAVACHE








Chefe de Estado : Dmitri Medvedev,eleito em 02 de Março de 2008
Primeiro Ministro : Vladimir Poutine
Capital : Moscou
Superficie : 17 095 000 km2
População (hab.) : 141,4 milhões
Densidade Demográfica : 8 hab./km2
Crescimento (2007-FMI): 8,1 %
Desemprego (2006-UNECE): 7,2 %
Moeda : Rublo (0,027128 €)


O Primeiro-Ministro Vladimir Poutine não perde nenhuma ocasião de repetir :
desde seus dois mandatos à testa do país (de 2000 a 2007), a Russia jamais foi tão próspera.
Os dados macroeconômicos confirmam essa afirmação. Entre 1999 e 2007, o PIB multiplicou-se por seis, com uma taxa de crescimento de 8,1% em 2007 e com o rendimento da poupança aumentando em média 10% ao ano.
Longe da bancarrota de 1998, o « budget » do Estado acumula excedentes (10,3 bilhões de euros por mês) e o banco central gere a terceira reserva de câmbio (308,2 bilhões de euros) do mundo, depois do Japão e da China.
Podemos então falar de milagre econômico, como sugere o Kremlin ?
O milagre repousa sobre as cotações elevadas do petróleo bruto, sobre os investimentos estrangeiros e sobre o consumo doméstico. A partir do momento que o preço do barril foi elevado, a Rússia, primeiro exportador mundial, “deita”sobre as notas verdes. Mas isso não trouxe apenas efeitos positivos. Depois do ciclo virtuoso de 2001, marcado pela criação de fundos de estabilização, supostos de colocar o país ao abrigo de um retrocesso das cotações, o governo ingressou numa fase de despesas. Ao fim de 2007, a inflação ultrapassou os 8%.

No período eleitoral – legislativas em 2 de dezembro e presidencial em 2 de Março de 2008-, era preciso contentar as categorias sociais com baixo poder de compra. As aposentadorias foram aumentadas (+ 8,30 euros), assim como os salários dos militares. A medida atingiu os produtos alimentares de base (um aumento de 15 % à 20 % sobre o óleo, o açúcar e o pão), acontecendo entre agosto e outubro daquele ano. Essa alta se explicou pela situação dos produtos agrícolas no mercado mundial e pela fragilidade da produção e dos canais de distribuição. A indústria alimentícia local, organizada em cartéis, sofre falta de concorrência. Na Rússia, 60% da produção de leite está nas mãos de seis produtores, mesmo com o perfil do país (11 fusos horários diferentes).
Devido ao descontentamento popular, antes da troca de cargos, o então primeiro-ministro Viktor Zoubkov, um antigo diretor de kolkhoze (fazenda coletiva), impôs um congelamento de preços. Este foi válido até a metade de março de 2008, depois da eleição presidencial. Os experts se interrogavam sobre o que aconteceria no dia de sua revogação.
"Os preços subirão de novo",indicava por sua parte Evgueni Iassine, antigo ministro da economia.
O retorno da inflação pode interferir no crescimento, tanto mais que a economia decresce em competitividade. Segundo o Banco Mundial, o crescimento russo está no fim. Para alavancá-lo novamente torna-se necessário diversificar a economia, colocar em marcha uma verdadeira política social e proceder às reformas, conforme indicou o relatório publicado pelo instituto financeiro de Washington em novembro de 2007.

Os preços elevados do petróleo poderiam permitir uma valorização da moeda?
Isso faria correr o risco de provocar a entrada massiva de investimentos especulativos. Como explica Chris Weafer, analista do fundo de investimento UralSib, "a economia poderia ser desestabilizada, conforme aconteceu na Ásia Sudoeste nos anos 90".
A reestruturação financeira da Rússia está longe de ser efetivada. Os bancos russos- existem mais de 1000- estão ausentes do setor de investimentos e desempenham um papel marginal no que se refere ao financiamento da economia.
Mais do que nunca, o Estado está em todo lugar. Atualmente, 40% da produção petrolífera e 90% da produção de gás encontra-se em suas mãos. Em 2007, prosseguiram as conclusões dos acordos realizados com as sociedades petrolíferas estrangeiras nos anos 90, num momento onde os preços do bruto estavam os mais baixos possíveis. Em Abril, a « major » Shell concordou em ceder à Gazprom sua parte majoritária na jazida petrolífera e de gás de Sakhaline-2, na Sibéria.
A ofensiva contra as « majors » estrangeiras (Shell, TNK BP) faz parte do quadro de uma vasta campanha de volta às mãos do Estado, em relação ao setor energético. Fato significativo, isso coincide com uma estagnação da produção.
Nesses últimos anos, a criação de mega-conglomerados industriais, geridos diretamente pelo Kremlin, não cessa de ser reforçada. Sete "corporations étatiques" nasceram em 2007, entre as quais Rosatom (nuclear) e Rostechnologie (armamentos). O Banco para o Desenvolvimento viu o nascer do dia em junho. Em Julho, foi criada a agência para o desenvolvimento das nanotecnologias (Rosnanotech). Dirigida pelo General da KGB Serguei Ivanov, ela deve favorecer o desenvolvimento das tecnologias de ponta, com o objetivo de permitir à Rússia ingressar no ranking de um país moderno, capaz de exportar mais do que matérias-primas. Em Outubro, a holding Olympstroï adquiriu a responsabilidade sobre a construção do centro olímpico de Sotchi, que deve chegar ao final em 2014. Outras três corporações foram criadas em 2008, nos setores de pesca, produção de medicamentos e construção de auto-estradas.

O conselheiro Arkadi Dvorkovitch inquietou-se com esta tendência. Numa conferência sobre economia realizada em Moscou em Outubro de 2007, ele lastimou a “opacidade” dessas corporações. Depois da lei, os conglomerados do Estado não são controlados pelo governo, mas diretamente pelo presidente, que nomeia seus dirigentes. Considerados como estruturas não-comerciais, os grandes grupos estatais não são submissos às auditorias do Tribunal de Contas, nem são obrigados à reinvestir seus benefícios, tendo carta branca para dispor dos mesmos conforme seus próprios desejos.
Dirigidos por pessoas próximas ao primeiro-ministro, oriundas como ele dos serviços de segurança (ex-KGB), esses conglomerados formam grupos de pressão hábeis em negociar regimes preferenciais. Muitas vezes, o espírito liberal presente no governo recusou aos mesmos concessões e financiamentos. Mas em dezembro de 2008 o ministério das finanças anunciou que uma parte dos 101,4 bilhões de euros dos fundos de estabilização, deveria ser investido na indústria via esses conglomerados.
O Vnechekonombank, Fundo para o investimento, e a Agência encarregada do desenvolvimento das nanotecnologias foram os primeiros beneficiados. O financiamento das outras corporações será feito através dos rendimentos provenientes da venda dos ativos da major Ioukos, desmantelada e captada por Rosneft, depois da detenção do seu chefe Mikhaïl Khodorkovski, em 2003.
Animada pela pujança reconquistada, a Rússia ambiciona figurar, daqui até 2020, entre as cinco economias mais desenvolvidas do mundo. Para realizar essa ambição, Vladimir Poutine desvelou em setembro de 2007 um vasto programa de modernização das infra-estruturas e da indústria. Programado para dez anos, esse programa necessitará um financiamento de 685 bilhões de euros. O Estado assumirá 20%. Para o resto, serão solicitados investidores privados, notadamente estrangeiros. A atitude diante dos investidores estrangeiros, ao mesmo tempo cortejados e objetos de desconfiança, é ambígua. A Rússia necessita desses investimentos, mas ela quer limitá-los aos setores não-estratégicos da economia.
A renovação econômica assume os traços de capitalismo de Estado. Em 2008, o Estado prevê o investimento de 4,8 bilhões de euros no grupo de rede elétrica pública FSK e 3,4 bilhões de euros na agência federal atômica Rosatom. Até este ano o país fixou o objetivo de construir 4.000 km de novas estradas por ano. Uma tarefa enorme. A rede de vias férreas é insuficiente, as auto-estradas inexistentes e, do norte ao sul da Federação, a malha rodoviária provoca lástima.

Este plano ambicioso explica porque Vladimir Poutine parece determinado a marcar o amanhã do país , apesar do seu segundo mandato presidencial haver terminado em março de 2008 e da Constituição lhe interditar o exercício de um terceiro.
As legislativas de dezembro de 2007 , ganhas em 64% por seu partido, tiveram um fundo de campanha desequilibrado, de fraudes e de pressões eleitorais denunciadas por observadores internacionais, servindo de trampolim à perenização do seu poder: o candidato à sucessão, Dmitri Medvedev, atual Chefe de Estado e presidente de Gazprom foi , sem surpresas, eleito desde o primeiro turno de 02 de Março, com mais de 70% dos votos. Segundo um acordo feito pelos dois homens em dezembro de 2007, Vladimir Poutine tornou-se Primeiro Ministro durante a passagem do poder em maio.

ANÁLISE: EMMANUEL GAVACHE

terça-feira, julho 20, 2010

CAPITAL PSICOLÓGICO: O QUE SIGNIFICA?




Conceito de capital psicológico ganha espaço nas empresas

Na hora de planejar os recursos humanos da empresa, costuma-se pensa no número de funcionários e em sua capacitação, mas apenas do ponto de vista quantitativo. Quantas pessoas trabalham na empresa? Quantos têm ensino superior? Cristina Simón, sub-reitora de psicologia da Universidade Instituto de Empresa (IE), chama a atenção para a importância do capital psicológico nas empresas, da necessidade de se levar em conta e de valorizar a personalidade dos colaboradores como um ativo a mais da companhia. Em entrevista concedida a Universia Knowledge@Wharton, Simón explica de que maneira é possível fazer com que o conjunto de recursos humanos disponíveis produzam resultados melhores por meio do capital psicológico da empresa.

Universia Knowledge@Wharton: O que é o capital psicológico?

Cristina Simón: Entende-se por capital o conjunto de bens utilizados para o crescimento e o progresso. Da mesma forma que já se definiu o capital financeiro (“o que a pessoa tem”), o capital intelectual (“o que a pessoa sabe fazer”) e o capital social (“com quem a pessoa se relaciona”), entende-se por capital psicológico o “jeito de ser da pessoa”, isto é, o conjunto de características positivas da personalidade que empregamos em nossa vida profissional. Colocadas a serviço do ambiente de trabalho, essas características podem fazer diferença nos resultados obtidos. O que temos em mente, de modo especial, é a vontade (motivação voltada para o cumprimento de um objetivo), otimismo realista (confiança na resolução positiva de acontecimentos futuros), resiliência (capacidade de enfrentar regularmente condições adversas ou arriscadas) e autoconfiança (ou confiança na capacidade própria para atingir as metas propostas).
É importante frisar que esses quatro fatores podem ser aprendidos por qualquer pessoa e, portanto, podem ser incorporados aos programas de formação e de desenvolvimento das empresas.

UK@W.: De que maneira o capital psicológico afeta o mundo corporativo?

C.S.: Os estudos realizados até o momento mostram a existência de uma relação entre o nível do capital psicológico de um profissional e sua performance na empresa. É evidente que as pessoas dotadas de grande dose de resiliência e de otimismo realista, sobretudo nos dias de hoje, estão mais preparadas para enfrentar momentos de incertezas e de circunstâncias adversas. A Faculdade de Psicologia do IE iniciou um estudo com ex-alunos sobre a relação entre seu capital social e o sucesso alcançado em sua carreira de administração.
De igual modo, a combinação de traços como vontade e autoconfiança aumentam a tenacidade de quem busca a consecução dos seus objetivos. Além disso, os indivíduos dotados desses traços tendem a trabalhar com planos de negócios de longo prazo, o que é fundamental para a sustentabilidade, uma das grandes aspirações das empresa atualmente.

UK@W.: Com relação à vontade, ao otimismo, resiliência e autoconfiança, qual o peso de cada uma dessas características em um líder? Qual a mais importante?

C.S.: Conforme eu dizia anteriormente, o capital psicológico é um modelo muito recente, portanto não temos ainda condições de aferir com a precisão desejada a contribuição de cada um dos seus componentes, tampouco qual seria seu nível de equilíbrio ideal. Já há ferramentas para aferição do capital psicológico, e nesse sentido vale a pena destacar o trabalho de Fred Luthans no Instituto de Liderança da Universidade de Nebraska, em Lincoln. Ele é o pai desse conceito, que surgiu como resultado da aplicação dos princípios básicos do que se conhece como psicologia positiva — que se ocupa do estudo do comportamento humano do ponto de vista dos seus pontos fortes e de seus fatores positivos — ao mundo do trabalho e das empresas.
Dada a possibilidade que têm os líderes de dar exemplos de atitudes e de comportamentos a suas equipes, o desenvolvimento dessas capacidades pode levar a uma melhora generalizada do capital psicológico da empresa toda.
UK@W.: Do ponto de vista dos empregados, de que maneira esses perfis psicológicos se complementam?

C.S.: A exemplo do que acontece com outros tipos de competências, a combinação desses traços em diferentes pessoas unidas em torno de um objetivo comum pode levar a equipe a um desempenho de elevada eficácia, preservando ao mesmo tempo níveis de interação social excelentes. O capital psicológico poderá ter um efeito multiplicador sempre que diversas pessoas trabalham em conjunto.
Um aspecto especialmente importante desse tipo de capital é que ele eleva os padrões de bem-estar pessoal, o que sem dúvida resulta em índices de satisfação mais apurados no trabalho e em ambientes mais satisfatórios para os empregados.

UK@W.: Em tempos de crise, em que há cortes no quadro de pessoal e paira sempre a ameaça constante do desemprego, de que maneira é possível cultivar aspectos como a vontade, o otimismo, a resiliência e a autoconfiança? O que a empresa pode fazer para não queimar psicologicamente seus funcionários?

C.S.: O capital psicológico, como o próprio nome indica, leva em conta fatores próprios da pessoa, o que num contexto de crise a ajudam a superar momentos complicados de forma mais satisfatória. Seja como for, já comentei aqui que o capital psicológico pode ser desenvolvido. Isto significa que a empresa pode levar as pessoas a encarar as situações de crise com maior dose de otimismo realista, ou com atitudes mais flexíveis e de maior resistência à frustração e à depressão. Nesse sentido, a Gallup desenvolveu sua “prática baseada em pontos fortes” (strength-based practice) e a está implantando com sucesso nas empresas. De modo geral, essas práticas fornecem evidências sobre a importância de construir a empresa com base nos pontos fortes de seus funcionários, em vez de tentar “ajustar” o seu perfil ao exigido pela companhia. Essa mudança de enfoque pode ter consequências importantes para a gestão corporativa, e se aplica a situações vivenciadas no dia-a-dia, como as decisões de promoção de profissionais de perfis tecnicamente muito brilhantes, porém pouco motivados para as tarefas que cabem a um gestor realizar. Disso resulta um afastamento do funcionário de seus pontos fortes, sendo atribuídos a ele trabalhos nos quais se sente pouco confortável e capacitado, o que repercute nas equipes e no ambiente de trabalho de modo geral.

UK@W.: O que o empregado pode fazer em relação à situação atual do emprego?

C.S.: Muitos se angustiam porque se sentem indefesos, o que coloca em perigo as circunstâncias básicas de sua vida, como a preservação do status familiar, a estabilidade de suas condições financeiras etc. Essa percepção de fragilidade vivenciada dia após dia num contexto de incertezas se traduz em transtornos psicológicos graves para boa parte dos trabalhadores. O conselho de psicólogos espanhóis diz que a frequência das consultas sobre esse tipo de assunto teve uma alta de 15% nos últimos meses.
As características do capital psicológico já mencionadas, sobretudo a resiliência e o otimismo realista, podem ajudar a melhorar a percepção da crise econômica. De modo especial, a adoção de uma visão otimista das circunstâncias — não me refiro aqui a uma ilusão “tola” cor-de-rosa — pode ajudar a melhorar a situação pessoal a longo prazo. A forma como percebemos o mundo e o nosso entorno é parte fundamental do processo de tomada de decisões com base no qual construímos nosso futuro no dia-a-dia. A ideia popular do copo “meio cheio ou meio vazio” é um bom exemplo disso. Conscientes de que temos apenas meio copo disponível — um dado objetivo —, a ideia de que devemos seguir adiante para construir e desfrutar a outra metade é fundamental para orientar nossas decisões cotidianas pelo caminho certo, tanto no âmbito pessoal quanto no do trabalho.

UK@W.: Os departamentos de Recursos Humanos levam em conta o capital psicológico? Que tipo de medidas estão sendo postas em prática?

C.S.: Creio que ainda é cedo para falar em implantação de práticas que levem em conta o capital psicológico. O conceito deverá se estender pela empresa através dos programas de formação e de desenvolvimento (sem dúvida impulsionados pelas práticas de coaching).
Embora o modelo seja ainda bastante recente e, portanto, passível de resultados genéricos, é bastante provável que o conceito de capital psicológico substitua a inteligência emocional como ferramenta de desenvolvimento de gestores e empregados, uma vez que desempenha o duplo papel de produzir melhores resultados e, o que vem se tornando cada vez mais importante, o de criar ambientes de trabalho mais sadios.

sexta-feira, julho 09, 2010

O MEDO À LIBERDADE II- FILME RAPA-NUI

Um filme emblemático no que se refere ao MEDO À LIBERDADE do homem, análise feita por Erich Fromm, é RAPA-NUI, antigo nome da Ilha de Páscoa.
O filme mostra claramente os abusos de poder, através de uma sociedade dividida em duas castas: dominantes e dominados. Os dominados constroem os famosos MOAIS sob o estalo de chicotes na pele e outras formas de subjugação.
Porém no final, quando ocorre a revolta e os papéis ficam invertidos, os antigos torturados passam a ter o mesmo comportamento que seus torturadores, agindo igual ou pior aos mesmos.Dessa forma, não ocorre uma real mudança e sim apenas uma inversão no jogo de papéis.

QUEREMOS REALMENTE MUDANÇAS, OU APENAS PERTENCER À CLASSE DOMINANTE?

"Na longa e praticamente contínua batalha pela liberdade, contudo, as classes que lutavam contra a opressão em determinada fase, uma vez obtida a vitória, enfileiravam-se ao lado dos inimigos da liberdade para defender novos privilégios".
Erich Fromm, O MEDO À LIBERDADE

LEITURA INDISPENSÁVEL:O MEDO Á LIBERDADE, ERICH FROMM



Desde os tempos de estudante nas Universidades de Heidelberg e Munique, Fromm manteve-se fiel à grande tradição humanística da filosofia clássica alemã, acrescentando à mesma uma dimensão psicanalítica.
As preocupações kantianas sobre a melhor forma de convivência social-do Kant que dizia não haver nada mais belo além do céu estrelado sobre nós e da lei moral dentro de nós-são as preocupações de Fromm, em cuja obra o traço ético é tão relevante que, sendo obra de um psicanalista, ela é, simultâneamente, obra de um crítico social e de um expoente da antropologia filosófica.

Testemunha do caos social e do totalitarismo, ele orientou suas atividades científicas para o estudo dos fatores que promovem o aviltamento da condição humana: o levantamento das causas psicológicas que permitem o advento de sociedades adversas ao Homem. Mas não supervaloriza, nesta análise, os dados psicológicos. Mostra que os processos mentais do indivíduo não serão compreendidos senão a partir da investigação da cultura-da realidade social que a deflagra.

Com muita clareza Erich Fromm promove a dissecação de todas as formas sociais e psicossociais que permitem a eclosão do totalitarismo. Procede ao mesmo tempo à análise das estruturas psicológicas do autoritarismo, cujo pressuposto é de que o homem, não sendo intrinsecamente bom, precisa de um tutor: um Führer. Sobre essa tutela o indivíduo passa a sentir-se livre em sentido negativo. A liberdade adquire então o significado da destruição da personalidade.

É esse complexo de sentimentos e atitudes que Fromm designa como O MEDO À LIBERDADE-a mais grave das enfermidades contemporâneas. Na sua radiografia de uma situação de confronto entre o que o homem pode ser, segundo a visão humanística, e as forças que o conduzem ao cultivo dos instintos masoquistas, Erich não se restringe a um diagnóstico. Mostra como na reconquista do sentido humanístico da vida está o caminho que nos afasta do MEDO À LIBERDADE.

Este livro é um ato de fé na grandeza inata do homem.

"Se eu não for por mim mesmo, quem será por mim?
Se eu for apenas por mim, que serei eu?
Se não agora-quando?"
Ditado Talmúdico

" Nada é, pois, imutável, a não ser os direitos inerentes e inalienáveis do homem".
Thomas Jefferson

P.S: A edição original desse livro é de 1.941, em plena Segunda Guerra Mundial.

domingo, junho 27, 2010

CURSOS DE ETIQUETA INTERNACIONAL NOS NEGÓCIOS

É necessário cuidar muito com tais cursos, uma vez que na maioria dos casos, como no vídeo abaixo, os aspectos trabalhados são, em realidade, preconceitos e não verdadeiras características culturais do país em questão. Nesse caso, a França.
Este "curso" virtual é completamente enganoso.


UMA NOVA DIMENSÃO DE MANAGEMENT

Uma nova habilidade de Gerenciamento torna-se cada vez mais fundamental no Management de Equipes nos dias de hoje: O Management Intercultural.
Diferentes nacionalidades, diferentes culturas, diferentes formas de trabalhar.
Estamos preparados para essa Dimensão??

sexta-feira, junho 04, 2010

A ENERGIA DO FUTURO

CAPTURAR O VENTO

AS MÁSCARAS QUE SE OLHAM, POR JOSÉ SARAMAGO






Naquele jazigo do cemitério dos Prazeres, onde durante cinquenta anos os restos de Fernando Pessoa foram esquecidos (agora os transportaram para o Mosteiro dos Jerónimos e acomodaram em arca nova, perante uma plateia fúnebre de ministros e secretários de Estado), havia, como é costume cristão, uma cruz. De mármore, ou outra pedra calcária menos nobre, colocada a prumo sobre a fachada insignificante.
O conhecido símbolo derramava sobre o defunto bênçãos para o imediato e promessas de eternidade. De quanto valham umas e outras não sou eu o competente contabilista, nem seria esta a ocasião para se apurarem transcendências tais. Digamos, no entanto, porque em algum ponto de doutrina terei de comprometer-me, que me incluo entre os cépticos.
Ora, a cruz desapareceu, já não está lá. Partiram-na ao rente do pé, deixando o jazigo subitamente nu, com aquele ar friorento e sem jeito que têm os homens quando lhes cortam o cabelo, ou as árvores quando são podadas. Não se sabe quem foram os autores do atentado sacrílego, desconhecem-se as razões do atrevimento. Mas a alma portuguesa, a mística alma, não pode deixar de sentir-se confortada ante o acto magnífico de roubar-se uma cruz de pedra só porque, durante meio século, ela velou o último sono de um poeta. Portugal, afinal de contas, não está perdido se filhos seus mantêm esta fé e praticam esta coragem. Acredito que sobre a cruz e o furto possam vir a ser lançados os alicerces de um culto novo, de que Fernando Pessoa seria, ao mesmo tempo, profeta e livro. E também não me surpreenderia se me viessem dizer que a esta mesma hora, numa qualquer cave de Lisboa, uma congregação de neófitos já vai elaborando um rito e inventando orações, ou simplesmente adaptando os velhos passes de mágica à nova esperança de redenção. Há sempre um fundo de tristeza na ironia: a esta pouco lhe faltou para atingir a lágrima. Claro que não cairei na banalidade de interrogar-me sobre se Portugal merecia este poeta, como não pergunto se mereceu Camões. Mas torna-se cada vez mais evidente o carácter redutor da relação que, preconcebidamente ou pela obscura força das circunstâncias de tempo e de lugar, se está estabelecendo entre os portugueses vivos que hoje somos e o poeta morto e trasladado, mais emblema, ele, que homem, mais símbolo difuso que discurso coerente, mais pretexto evasivo que afirmação peremptória.
É possível que Fernando Pessoa tenha nisto grande responsabilidade. Homem de máscaras que olham máscaras, é como se só máscaras o pudessem ler e porventura compreender. Mas o que, sendo assim, produziria infalivelmente uma constelação de sentidos, de significados, de leituras infinitamente abertas e nunca conclusivas, veio, pelo contrário, a esbarrar com a tentação de definir um Fernando Pessoa unificado, do qual, por mera ramificação sucessiva, tivessem nascido heterónimos em qualquer momento reversíveis ao seu ponto de partida. Trabalho vão, em meu entender. Cada um de nós é quem é, mas aquele que em nós faz é outro. Fernando Pessoa soube-o melhor que ninguém, e os heterónimos, mais do que «drama em gente», são, cada um deles, a expressão individualizante de um conteúdo plural que se tornou singular no seu fazer-se, um ser que é diferente porque diferente foi o fazer dele.
Posta a questão nestes termos, seria fascinante ler Ricardo Reis como Ricardo Reis, e não como Fernando Pessoa. E o mesmo com Álvaro de Campos. Ou Alberto Caeiro. Ou Bernardo Soares. E todos os esboçados e inacabados heterónimos como crianças ou adolescentes que não puderam crescer, mas que eram já, no que foram, outros. E finalmente duvidar que os poemas ortónimos tenham sido realmente escritos por um Fernando Pessoa, tal como ele, com esse próprio nome, duvidou da sua existência. Estaríamos, aí, em pleno campo da esquizofrenia (com ressalva do emprego não de todo adequado da expressão), mas, correndo os riscos de quem ousa um passo em terreno tão instável, poderíamos agora interrogar-nos sobre a virtual maior produtividade duma leitura radiante, aceitando à letra aquilo que teria sido a verificação final de Fernando Pessoa: eu não sou eles. E talvez que «O Ano da Morte de Ricardo Reis» seja, em mais de quatrocentas páginas de prosa, tão-somente uma leitura que caminha ao longo de um raio, uma trajectória vital e poética a que nenhum outro poema pode ser juntado, mas em que se admite como plausível uma vida outra, que é mentira e por isso verdade outra, como a máscara é um rosto outro. Talvez seja preciso escrever também sobre os anos da morte de Alberto Caeiro, de Álvaro de Campos, de Bernardo Soares, para que sejam, cada um deles, cada vez menos Fernando Pessoa, como Fernando Pessoa os quis.Há vertigem neste jogo. As máscaras olham-se sabendo-se máscaras. Usam um olhar que não lhes pertence, e esse olhar, que vê, não se vê. Colocamos no rosto uma máscara e somos outro aos olhos de quem nos olhe. Mas de súbito descobrimos, aterrados, que, por trás da máscara que afinal não poderemos ser, não sabemos quem somos.
Está portanto por saber quem é Fernando Pessoa.

quarta-feira, junho 02, 2010

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