DIRETORES ASSOCIADOS

Angela Pieruccini
pieruccini@parceiros-consulting.com
Emmanual Gavache
gavache@parceiros-consulting.com

sábado, setembro 11, 2010

Workshop: The Wind Industry in France

Wind energy in west Texas, Wind Turbines

National Renewable Energy Laboratory

THE FUTURE OF WIND POWER

Windmill Power Tower

The wind is still remarkable energy and harvesting it with a windmill is a very expensive way to make power. Anemometry will test trials up to 60 meters adopted. Interested in learning how to build wind power for homes? Using windmills to generate power is nothing and has been used by farmers thousands of years ago. A windmill is installed on a tower.
African kid who made a working windmill from scraps lying around his village in Malawi. Electricity produced by the windmills is transmitted to the National Grid power grid. I would like to investigate wind power to supplement a solar power system. So far the turbine performes well in low wind and we expect it to get a real workout this winter.
You can also use a motor to turn the tower to face the wind. Highland Hill Farm Vice President William J. In this connection the successful hoisting. The homemade wind turbines usually have plastic blades that are used to rotate in the wind to generate energy.

Wind Power Station

RESIDENTS in three villages across the Daventry district have voted against plans for wind turbines to be built near their homes. Wind And Solar Power System Click Here! But in most cases these things mentioned above can require a relatively considerable input of capital. Promising For Future Electronics . The Board of Selectmen gave its approval Sept.
For our needs we use electricity which is derived with the help of different alternative sources such as solar power stations and wind power stations. W wind power bases planned by provincial authorities around . First of all I mean solar power stations and wind power stations. These power stations are able to power my wood pellet stove.
As power stations come would I mind if these went up near me? Kennebunkport Police Department. China to build 20GW wind power station. Sophisticated metals analyser hire helps protect power station pipes.
Customized vibration technology from one source. Tata Power also plans for generation stations at the Mandakini and Tubed coal blocks in which it has acquired stakes. Travel along panoramic photos with absolutly freedom and publish your own works.

Wind Power Plants

Water functioning 2 Fossil fuels 3 Nuclear power 4 Tidal power 5 Biomass 6 Wind power 7 Geothermal power 8 Solar power 9 Negawatt power 10 See also 11 . When the wind power plant is up and running it will supply . I need to have a plan and contention it as. ConEd buys the wind from nationwide sources and gets renewable credits to balance out pollution from other power plants throughout its grid.
The agreement marks a big downpayment on the state goal of getting 25 percent of New . The article continues: But just how many players . Outsize Profits From Pocket Power Plants. This means 45 new wind turbines per day!
Then decommissioning the existing plants. Our goal first is to stop building coal fired plants. The Steel Guy No comments.
Socialist Prime Minister Jose Luis Rodriguez Zapatero had vowed during general elections in 2004 and 2008 to gradually phase out nuclear power when the lifespan of the countrys six nuclear plants expired. This is a key finding which helps . This is why many have adopted solar and wind power for home electricity. Air traffic could just be redirected around the kites the way it is over nuclear power plants and refineries. Lower greenhouse gas emissions are typically desired in reborn power stations.

Wind Farm Power

The German government has set a target of 25000 MW offshore wind power in the year 2030. One version has 150000 turbines. A new report from the Academy of Engineering will today call for a halt to investment in wind farms and power interconnections because of the huge cost it will place on industry. An irate wind farm opponent has voiced his concerns at the potential for the Southern Upland Way to be obliterated by turbines sprouting up along it.
It will likely eventually produce 200 megawatts of power from 133 turbines. Western Farmers Electric Cooperative for 20 years. The Red Hills facility is spread .
Red Hills Wind Farm will generate enough clean energy to power over 40000 U. The findings of the Sea mean the crown estate can push ahead with round three of leasing UK waters for offshore wind farms. New Luce aimed at informing people of . It will state that Ireland already has the most expensive .
San Gorgonio Pass near Palm Springs. But industry experts last night pointed out that wind power . What do you get when an Ontario politician visits several European countries on a quixotic journey for wind farms?

AREVA CONFIRMS ITS COMMITMENT TO THE OFFSHORE WIND INDUSTRY





PRESS RELEASE

May 31, 2010

AREVA announces its purchase of the remaining 49% of Multibrid1, a German wind turbine manufacturer, which becomes AREVA Wind, a wholly-owned subsidiary of the group. This acquisition will allow a fast ramp-up of its production capacity to address the growth expected in this burgeoning industry. This new platform will also include the rotor blade manufacturing division, formerly PN Rotor.

"As major utilities are moving ahead by launching a number of European tenders, this acquisition illustrates AREVA’s commitment to play a leading role in the development of the offshore wind industry and to establish long-term partnerships with customers", said Anil Srivastava, CEO of AREVA Renewables.

Six M5000 turbines have already been installed by AREVA in the Alpha Ventus offshore wind farm, built in the North Sea under real offshore conditions, and are currently in the test phase. This pilot project will provide important feedback and essential experience to develop offshore wind farms.

"AREVA Wind now has a total of 600 MW in large European projects which confirms the market’s trust in our offshore technology", highlighted Felix Debierre, Managing Director of AREVA Wind.

quarta-feira, setembro 08, 2010

A ARTE DA GUERRA: UMA ESTRATÉGIA EMPRESARIAL







A palavra estratégia deriva do termo grego strategos, que combina stratos (exército) com ag (liderar). Assim, strategos significa literalmente «a função do general do exército». Uma vez que o conceito de estratégia teve origem no meio militar, é importante identificar similaridades que ainda existem entre a formulação de uma estratégia militar e empresarial, tanto ao nível dos objetivos como da natureza das análises, bem como dos resultados.

Quanto ao objetivo, uma estratégia militar visa a conquista e controle de territórios, enquanto a empresarial reside na conquista e controle de mercados. Se a estratégia empresarial analisa a estrutura da indústria, os pontos fortes e fracos da empresa, o tipo de organização e de liderança e os estudos de mercado, a estratégia militar analisa as condições climáticas e do terreno, a distribuição de forças e a estrutura de comando. E se na estratégia militar o resultado é o plano de campanha, na empresarial é o plano estratégico.

O estudo do planejamento militar fornece pistas valiosas para o desenvolvimento da estratégia empresarial. É útil relembrar os ensinamentos do clássico A Arte da Guerra, o tratado de estratégia militar mais antigo do mundo, escrito entre 400 e 320 A.C. pelo chinês Sun Tzu.

Sobre a finalidade da guerra, Sun Tzu escreve que «o objetivo é capturar o território do inimigo intacto; a vitória só será completa se as nossas tropas não forem afetadas». Em relação à oportunidade da guerra, Sun Tzu elucida que «não se entra em guerra sem certeza da vantagem, não se usa as tropas sem certeza da vitória e não se luta sem estar em perigo».

Sobre as maneiras de condução da guerra, Sun Tzu advoga o domínio do inimigo sem luta direta, capturar as suas cidades sem assaltos violentos e conquistar seu território sem operações prolongadas». Em suma, para Sun Tzu, a guerra não deve implicar o derrame desnecessário de sangue, tal como, para os bons executivos, a gestão não deve envolver o uso desnecessário de recursos. Tanto os planos estratégicos empresariais como militares devem cumprir os objetivos propostos com o mínimo de custos e o menor espaço de tempo possível.

O raciocínio do sábio Sun Tzu é particularmente interessante na priorização das estratégias ofensivas.

«A melhor estratégia é atacar a estratégia do inimigo.» Lição de gestão: as empresas devem ser as primeiras a entrar nos mercados e agir de forma pró-ativa. Por exemplo, a Lever conseguiu adiar durante anos a entrada em Portugal da rival Procter&Gamble, através do constante lançamento de novos produtos para dominar todos os nichos do mercado de detergentes.
«A segunda melhor estratégia é destruir as alianças do inimigo.» Lição de gestão: as empresas devem isolar a concorrência e estabelecer alianças. Por exemplo, a aquisição da ICL pelo rival japonês Fujitsu contribuiu para desmembrar um consórcio europeu de pesquisa na área das novas tecnologias de informação.
«A terceira melhor estratégia é atacar as tropas do inimigo.» Lição de gestão: as empresas devem recrutar quadros da competição ou comprar os concorrentes. Por exemplo, o BCP contratou alguns dos melhores dirigentes do BPA e, mais tarde, adquiriu o rival.
«A pior estratégia consiste em atacar cidades fortificadas.» Lição de gestão: as empresas devem evitar segmentos já dominados ou com baixo crescimento. Por exemplo, a entrada no negócio da distribuição de gasolina é não é aconselhada para empresas sem experiência no setor, em virtude da posição dominante que as multinacionais e os produtores nacionais já alcançaram.

Prosseguindo, para nosso sábio chinês a formulação de uma estratégia deve respeitar quatro princípios fundamentais.

Princípio da escolha do local de batalha. Segundo A Arte da Guerra, os estrategos devem escolher o campo de batalha em função das suas vantagens distintivas: «O bom general traz o inimigo para onde quer lutar», ou seja, a empresa deve atrair os rivais para os mercados onde sua posição competitiva é mais forte.
Por exemplo, a Pepsi explorou o fato da sua bebida conter mais açúcar do que a Coca-Cola, para lançar a campanha publicitária «Provas de sabor Pepsi», baseada em testes cegos, já que as pessoas preferiam o refrigerante mais doce.

No caso de não se possuir uma vantagem distintiva, Sun Tzu aconselha uma escolha do campo de batalha ignorado pelo inimigo: «Deve-se atacar onde o inimigo não defende ou a sua defesa é fraca», ou seja, a empresa menos forte deve posicionar-se nos nichos de mercado mal servidos pela concorrência.
Por exemplo, a European University optou por oferecer programas de licenciatura e de mestrado em língua inglesa, evitando o confronto direto com as universidades já estabelecidas.

Porém é essencial evitar combater nos terrenos próprios, mesmo possuindo vantagens distintivas: «Em terreno próprio deve-se unificar o exército e não lutar», o que significa que a empresa deve fortalecer as suas posições nos mercados próprios e crescer nos mercados dos concorrentes.
Por exemplo, para assegurar a liderança mundial no setor do equipamento para a construção civil, a norte-americana Caterpillar criou uma joint-venture para competir no Japão, o mercado principal do seu maior concorrente, a Komatsu. Desta forma a Caterpillar prejudicou as vendas da rival no Japão e minorou as hipóteses da Komatsu contra-atacar no seu próprio mercado, os Estados Unidos.

Princípio da concentração de forças. A Arte da Guerra defende que, para assegurar a vitória, as forças devem ser concentradas nas áreas de fraqueza do inimigo: «A força de um exército não depende do número de tropas. Se o inimigo reforçar o lado direito, o esquerdo será vulnerável; se tentar proteger todas as frentes, será fraco em cada uma delas.» Logo, quando ataca, a empresa deve concentrar os seus recursos nas áreas de fraqueza relativa dos concorrentes.
Por exemplo, na batalha pela conquista do horário nobre da televisão, a emissora privada SIC cativou as audiências exibindo telenovelas brasileiras da Globo de qualidade reconhecida, em confronto direto com as telenovelas portuguesas da emissora estatal RTP.

Por outro lado, a disposição das forças próprias deve ser secreta para forçar o inimigo a dispersar as suas: «Se conseguir descobrir a disposição do inimigo e esconder a sua, é possível concentrar energias enquanto ele as divide.» Ou seja, a empresa deve estudar com cuidado a atuação da concorrência e esconder os seus planos e ações.
Por exemplo, a aquisição do construtor britânico Rover pela rival alemã BMW apanhou de surpresa a generalidade dos competidores na indústria.

O recurso à contra-informação também contribui para enganar o inimigo e ganhar uma vantagem relativa: «Todas as guerras são baseadas em mentiras. O inimigo não deve saber onde vai ser atacado.» Isso significa que, na medida do possível e eticamente aceitável, a empresa deve enviar sinais incorretos aos seus concorrentes para ilusão dos mesmos.
Por exemplo, para tentar limitar as vendas do sistema operativo OS/2 Warp da IBM, a Microsoft anunciou repetidas vezes, durante um ano, o lançamento iminente do seu produto concorrente Windows 95. Desta forma, conseguiu persuadir muitos clientes pela espera do seu próprio sistema antes de tomar a decisão de compra.

Princípio do ataque. Paradoxalmente, A Arte da Guerra não faz apologia da confrontação direta. Pelo contrário, Sun Tzu defende que a batalha deve ser evitada sempre que possível. Se, porém, o confronto for inevitável, a vitória caberá, em regra, ao atacante: «Quem puder ganhar, deve atacar. Se não puder alcançar a vitória, deve defender.» Ou seja, as empresas melhor posicionadas devem tomar as iniciativas de ataque.
Por exemplo, embora o fabricante de produtos de eletrônica de consumo nipônico Sharp seja o maior produtor mundial de ecrãs de cristais líquidos, o seu investimento em novas tecnologias e em unidades industriais neste negócio é todos os anos superior ao dos seus principais concorrentes.

Em qualquer circunstância, o ataque deve maximizar os ganhos e minimizar as perdas: «O auge da competência é conquistar o inimigo sem lutar. Quando as campanhas são longas, esgotam-se os recursos do Estado.» Significa que a empresa deve avaliar cuidadosamente os benefícios e custos das suas iniciativas e agir com rapidez e seletividade.
Por exemplo, quando o construtor de equipamento elétrico Asea se associou ao rival Brown Boveri para formar a ABB, foi criada uma comissão especial de gestores para decidir, em poucos meses, quais os diretores das filiais internacionais a ser mantidos ou dispensados. Desta forma, foi possível eliminar rapidamente os custos de estrutura redundantes e aproveitar o potencial sinergético da atuação conjunta nos mercados mundiais.

Por outro lado, a análise das forças relativas determina a natureza do ataque a efetuar: «Quando exceder o inimigo em 10 para 1, deve cercá-lo. Quando exceder o inimigo em 5 para 1, deve atacá-lo. Quando exceder o inimigo em 2 para 1, deve dividi-lo. Quando for igual ao inimigo, deve decidir se deseja lutar. Quando o inimigo for um pouco superior, deve ser capaz de fugir. Quando o inimigo for muito superior, não deve enfrentar.» O que significa que as iniciativas atacantes da empresa devem avaliar as capacidades defensivas da concorrência.
Por exemplo quando, no início dos anos 80, a liderança do fabricante nipônico de motorizadas Honda foi posta em causa pela rival Yamaha, o seu ataque foi fulgurante. Em apenas 18 meses lançou no mercado doméstico 81 novos modelos de motorizadas, o triplo das novidades introduzidas pela concorrente no mesmo período de tempo. Em simultâneo, reduziu os preços médios em cerca de 30%, mantendo ainda assim margens de comercialização para os seus distribuidores 10% superiores às da Yamaha. Face à superioridade relativa dos seus recursos, a Honda optou por atacar diretamente a rival, ditando o desfecho da batalha: em menos de dois anos, a quota de mercado da Honda passou de 38% para 43%, enquanto a posição da Yamaha resvalou de 37% para 23%.

Não basta contudo analisar a quantidade dos recursos da concorrência, a qualidade relativa também é importante: «Nunca avançar apenas com base na quantidade das forças. Quando atacado por um inimigo superior em número, deve-se capturar o que ele mais valoriza», o que significa que uma empresa em inferioridade numérica deve concentrar sua atuação nos segmentos mais atrativos do mercado.
Por exemplo, a consultora norte-americana McKinsey especializou-se no segmento da consultoria estratégica para grandes organizações, onde conseguiu estabelecer uma sólida reputação, que lhe assegura elevadas taxas de crescimento e rentabilidade em escala mundial.

Princípio das forças diretas e indiretas. Finalmente, A Arte da Guerra chama a atenção para a importância de utilizar as forças próprias de uma forma flexível para vencer as batalhas: «As forças diretas são utilizadas no combate com o inimigo, mas são as forças indiretas que asseguram a vitória. As combinações entre forças diretas e indiretas são infinitas.» Isto significa que a empresa deve adequar constantemente sua atuação às condições competitivas do mercado, utilizando seus diferentes tipos de recursos com flexibilidade.
Por exemplo, quando, em meados dos anos 70, ocorreu a primeira crise do petróleo no Médio Oriente, a empresa distribuidora de produtos petrolíferos Shell reforçou rapidamente os seus investimentos na exploração de novas fontes de matéria-prima no mar do Norte e nas atividades de extração e refinação, em detrimento da expansão da rede de estações de gasolina. Desta forma, conseguiu ultrapassar antes dos concorrentes o período recessivo e ascender à liderança global do setor.

Então, a Gestão do Negócio pode ser chamada também de Arte da Guerra?

PARCEIROS-CONSULTING

quinta-feira, agosto 05, 2010

PAÍSES DO BRIC: CHINA, POR EMMANUEL GAVACHE








Chefe de Estado: Hu Jintao
Primeiro Ministro: Wen Jiabao
Capital : Pequim
Superficie : 9 584 000 km2
População (hab.) : 1 320,6 milhões
Densidade Demográfica: 137 hab./km2
Crescimento (2007-FMI) : 11,5 %
Desemprego (2007-CIA) : 4 % em área urbana, superior à rural
Moeda : renminbi yuan (0,0917460 €)


A economia chinesa, após um formidável desempenho,reduziu sua marcha ao fim de 2007, depois de um ano onde as taxas de crescimento se aproximaram dos 11,5%.
A crise dos créditos hipotecados à risco (subprimes) nos EUA, a alta do preço do petróleo e a turbulência que atravessava o mercado financeiro mundial são fatores que impactaram sobre uma máquina econômica onde as fragilidades são numerosas, possivelmente como consequência de produzir tudo e da integração crescente no mercado mundial : o retorno da inflação e a “bolha” financeira são sinais luminosos que não podem ser ignorados.
Mas é necessário muito mais que isso para frear o mastodonte, transformado na segunda economia do mundo, se calculado o PIB em paridade com o poder de compra. A entrada de fluxos de moeda não mostra sinais de diminuição. Os investimentos diretos externos, de novo em fase ascendente, atingiram 62 bilhões de euros para os onze primeiros meses de 2007, fora os investimentos financeiros, contra 70 em 2006.

As autoridades chinesas querem privilegiar a qualidade neste domínio :o ministério do planejamento publicou um novo guia de investimentos estrangeiros, encorajando as empresas não-chinesas a escolher os setores de alta tecnologia e os serviços délocalisés (outsourcing) às indústrias extrativas ou com alto consumo de energia , apontou a Missão Econômica de Pequim. As orientações para as indústrias exportadoras são submetidas a um rígido controle, de maneira a limitar uma progressão das exportações.
Porque elas são robustas : o excedente comercial chinês atingiu 239 bilhões de euros nos onze meses de 2007. Ele havia terminado o ano de 2006 em 126,3 bilhões de euros. Os excedentes comerciais com a Europa e os EUA, que haviam literalmente explodido em 2005, continuaram se estabilizando em 2007. A contração do déficit chinês em relação à Ásia- principalmente Coréia do Sul e Taiwan, vitímas também de "délocalisations vers la Chine". Naquele ano houve uma contribuição significativa ao reforço da posição excedente da China, embora aumentando as importações de energia.
Em consequência, a China acumula reservas de câmbio mais de 1019 bilhões de euros no fim de Outubro, considerando os 136 bilhões de euros pertencentes ao CIC (China Investment Corporation), o novo fundo soberano lançado no fim de Setembro de 2007.
Em Maio, a China havia lançado um balão de ensaio – 2 bilhões de euros para uma parte no fundo de investimento americano Blackstone – julgado um pouco agressivo pelos ocidentais.
O CIC terá um papel estabilizador dentro de uma economia mundial maltratada pela crise das subprimes assegurou seu presidente. È assim que ele nos faz interpretar a participação do CIC na altura de 10% do capital de Morgan Stanley, em Dezembro do mesmo ano?
Convidadas à investir no exterior, as sociedades chinesas não tardaram na resposta: em Novembro, Ping An adquiriu 4,1% da seguradora belga Fortis. Huawei, equipamentos para telecoms, esta em vias de comprar a 3Com, ao lado do fundo americano Bain Capital, num projeto que suscita resistências nos EUA.
Investir no estrangeiro permite à China aliviar as pressões na sua economia, causadas pela superabundância de liquidez. Não ligado ao dólar, o yuan é todavia apreciado em 5%, numa associação à moeda americana , desde 2007. Sua revalorização é um ponto de fixação para americanos e europeus, que apontaram o dedo à China sobre isso no G7 de Outubro. Mas Pequim teme todas as mudanças bruscas que desestabilizem seu sistema financeiro.
Malgrado o aumento durante 8 vezes , pelo banco central chinês, da parte obrigatória de reserva dos bancos, a superliquidez fortalece o aquecimento da economia.Os bancos ultrapassaram o limite de 15% que lhes havia sido feito pelo crescimento de créditos, alimentando os investimentos produtivos, sempre mais elevados nas cidades, notadamente no setor imobiliário. Os preços por metro quadrado continuam subindo em numerosas cidades chinesas, mesmo se Shanghai confirma uma baixa.

A poupança chinesa também deslocou-se para vias de investimentos mais lucrativos – e bem mais perigosos- a Bolsa. Depois de 130% de alta em 2006, o índex composto de Shanghai conheceu uma progressão de duas cifras em 2007. Malgrado os violentos golpes : em fevereiro um mini-crack em Shanghai provocou impacto no resto do mundo, sinal da entrada em cena de uma nova e importante Bolsa no mundo do capital de ações.
A crise de subprimes também deprimiu as ações A (àquelas que são cotadas em Shanghai e acessíveis unicamente aos chineses). Em Outubro, o índex atingiu um novo record de alta, antes de declinar 20% em Novembro.
Depois dos bancos em 2006, ocorre a introdução na Bolsa dos gigantes da energia (Petrochina), que « dopa » as cotações. Os economistas estimam o efeito de riqueza beneficiando o consumo interno, notadamente os produtos de luxo. Mas expõe a classe média emergente à um regresso de matiz doloroso- potencialmente desestabilizante para o poder em curso.
A inflação se acelerou em 2007- em novembro ela atingiu 6,9% - a mais alta dos últimos dez anos. Os preços da alimentação elevaram até 30% para os legumes e 56% para a carne de porco. Mesmo que as autoridades tenham anunciado uma inflação máxima de 3% em 2007, ela atingiu 4,6%, contra 1,5% em 2006.
Um déficit para o governo, a despeito da alta dos rendimentos nas cidades e no campo. As tensões sociais estão vivas na China e preocupam um partido comunista que tira sua legitimidade da capacidade de fazer crescer a economia.
Uma nova lei sobre o contrato de trabalho foi aplicada a partir de Janeiro de 2008, restringindo certos abusos, fazendo com que as usinas preocupem-se com o recrutamento da mão de obra à bom preço, aumentando seus custos. O recrutamento nas universidades progride bem mais depressa que a criação de empregos qualificados, e um grande número dos 5 milhões de jovens diplomados em 2007 não encontraram trabalho ou aceitaram empregos menos qualificados.
No campo, porém também nas cidades, terras e casas/apartamentos são adquiridos por predadores privados, em acordo com os poderes locais. Mas as resistências são mais e mais presentes, como ilustrou em março de 2007 o combate de um casal de Chongqing, defendendo até o fim sua propriedade- a casa "tête de clou", como foi designada pela imprensa chinesa, normalmente muito discreta sobre esse gênero de acontecimentos.

O ano de 2007 foi também o ano do 17e Congresso do Partido Comunista e Hu Jintao, sem surpresas, consolidou seu poder fazendo progredir o sucesso às custas da “banda de Shanghai”, leal à seu predecessor. Dois herdeiros potenciais surgiram: Xi Jinping e Li Keqiang, que acederam ao todo-poderoso comitê permanente do partido, composto de nove membros.

Através dos JO de Pequim em 2008, a equipe dirigente, buscando « uma sociedade harmoniosa » procurou minimizar os riscos diante do Ocidente. Portanto em 2007 ocorreu um acentuamento da repressão, notadamente ao encontro do movimento de direitos cívicos: como exemplo, os “advogados de pés nus” são aprisionados ( o advogado Cheng Guangcheng), ou detidos em sua residência (o militante Hu Jia).
A idéia de um boicote aos JO atingiu o ápice em março de 2008, quando o governo chinês reprimiu com sangue uma série de manifestações de tibetanos em Lhassa, ocasionando uma centena de mortes. Em detrimento da « via moderna » desenvolvida pelo chefe espiritual, que cessou de reinvindicar independência em prol de uma simples autonomia.Os manifestantes tibetanos quiseram aproveitar a proximidade dos Jogos para denunciar um genocídio cultural, do qual se julgam vítimas desde 50 anos, buscando obter dos democratas ocidentais uma condenação clara da ocupação chinesa.

No estrangeiro, o dossiê ambiental irrita tanto quanto o das liberdades. A China tornou-se em 2007 o primeiro emissor de gases que prejudicam o planeta. As crises ecológicas se multiplicam – em maio de 2007, a destruição do ecossistema do Lago Taihu, perto de Wuxi, privou dois milhões de pessoas de água corrente.

Em ecologia, como na economia, a China...satura.

EMMANUEL GAVACHE

quarta-feira, julho 28, 2010

PAÍSES DO BRIC: RÚSSIA, POR EMMANUEL GAVACHE








Chefe de Estado : Dmitri Medvedev,eleito em 02 de Março de 2008
Primeiro Ministro : Vladimir Poutine
Capital : Moscou
Superficie : 17 095 000 km2
População (hab.) : 141,4 milhões
Densidade Demográfica : 8 hab./km2
Crescimento (2007-FMI): 8,1 %
Desemprego (2006-UNECE): 7,2 %
Moeda : Rublo (0,027128 €)


O Primeiro-Ministro Vladimir Poutine não perde nenhuma ocasião de repetir :
desde seus dois mandatos à testa do país (de 2000 a 2007), a Russia jamais foi tão próspera.
Os dados macroeconômicos confirmam essa afirmação. Entre 1999 e 2007, o PIB multiplicou-se por seis, com uma taxa de crescimento de 8,1% em 2007 e com o rendimento da poupança aumentando em média 10% ao ano.
Longe da bancarrota de 1998, o « budget » do Estado acumula excedentes (10,3 bilhões de euros por mês) e o banco central gere a terceira reserva de câmbio (308,2 bilhões de euros) do mundo, depois do Japão e da China.
Podemos então falar de milagre econômico, como sugere o Kremlin ?
O milagre repousa sobre as cotações elevadas do petróleo bruto, sobre os investimentos estrangeiros e sobre o consumo doméstico. A partir do momento que o preço do barril foi elevado, a Rússia, primeiro exportador mundial, “deita”sobre as notas verdes. Mas isso não trouxe apenas efeitos positivos. Depois do ciclo virtuoso de 2001, marcado pela criação de fundos de estabilização, supostos de colocar o país ao abrigo de um retrocesso das cotações, o governo ingressou numa fase de despesas. Ao fim de 2007, a inflação ultrapassou os 8%.

No período eleitoral – legislativas em 2 de dezembro e presidencial em 2 de Março de 2008-, era preciso contentar as categorias sociais com baixo poder de compra. As aposentadorias foram aumentadas (+ 8,30 euros), assim como os salários dos militares. A medida atingiu os produtos alimentares de base (um aumento de 15 % à 20 % sobre o óleo, o açúcar e o pão), acontecendo entre agosto e outubro daquele ano. Essa alta se explicou pela situação dos produtos agrícolas no mercado mundial e pela fragilidade da produção e dos canais de distribuição. A indústria alimentícia local, organizada em cartéis, sofre falta de concorrência. Na Rússia, 60% da produção de leite está nas mãos de seis produtores, mesmo com o perfil do país (11 fusos horários diferentes).
Devido ao descontentamento popular, antes da troca de cargos, o então primeiro-ministro Viktor Zoubkov, um antigo diretor de kolkhoze (fazenda coletiva), impôs um congelamento de preços. Este foi válido até a metade de março de 2008, depois da eleição presidencial. Os experts se interrogavam sobre o que aconteceria no dia de sua revogação.
"Os preços subirão de novo",indicava por sua parte Evgueni Iassine, antigo ministro da economia.
O retorno da inflação pode interferir no crescimento, tanto mais que a economia decresce em competitividade. Segundo o Banco Mundial, o crescimento russo está no fim. Para alavancá-lo novamente torna-se necessário diversificar a economia, colocar em marcha uma verdadeira política social e proceder às reformas, conforme indicou o relatório publicado pelo instituto financeiro de Washington em novembro de 2007.

Os preços elevados do petróleo poderiam permitir uma valorização da moeda?
Isso faria correr o risco de provocar a entrada massiva de investimentos especulativos. Como explica Chris Weafer, analista do fundo de investimento UralSib, "a economia poderia ser desestabilizada, conforme aconteceu na Ásia Sudoeste nos anos 90".
A reestruturação financeira da Rússia está longe de ser efetivada. Os bancos russos- existem mais de 1000- estão ausentes do setor de investimentos e desempenham um papel marginal no que se refere ao financiamento da economia.
Mais do que nunca, o Estado está em todo lugar. Atualmente, 40% da produção petrolífera e 90% da produção de gás encontra-se em suas mãos. Em 2007, prosseguiram as conclusões dos acordos realizados com as sociedades petrolíferas estrangeiras nos anos 90, num momento onde os preços do bruto estavam os mais baixos possíveis. Em Abril, a « major » Shell concordou em ceder à Gazprom sua parte majoritária na jazida petrolífera e de gás de Sakhaline-2, na Sibéria.
A ofensiva contra as « majors » estrangeiras (Shell, TNK BP) faz parte do quadro de uma vasta campanha de volta às mãos do Estado, em relação ao setor energético. Fato significativo, isso coincide com uma estagnação da produção.
Nesses últimos anos, a criação de mega-conglomerados industriais, geridos diretamente pelo Kremlin, não cessa de ser reforçada. Sete "corporations étatiques" nasceram em 2007, entre as quais Rosatom (nuclear) e Rostechnologie (armamentos). O Banco para o Desenvolvimento viu o nascer do dia em junho. Em Julho, foi criada a agência para o desenvolvimento das nanotecnologias (Rosnanotech). Dirigida pelo General da KGB Serguei Ivanov, ela deve favorecer o desenvolvimento das tecnologias de ponta, com o objetivo de permitir à Rússia ingressar no ranking de um país moderno, capaz de exportar mais do que matérias-primas. Em Outubro, a holding Olympstroï adquiriu a responsabilidade sobre a construção do centro olímpico de Sotchi, que deve chegar ao final em 2014. Outras três corporações foram criadas em 2008, nos setores de pesca, produção de medicamentos e construção de auto-estradas.

O conselheiro Arkadi Dvorkovitch inquietou-se com esta tendência. Numa conferência sobre economia realizada em Moscou em Outubro de 2007, ele lastimou a “opacidade” dessas corporações. Depois da lei, os conglomerados do Estado não são controlados pelo governo, mas diretamente pelo presidente, que nomeia seus dirigentes. Considerados como estruturas não-comerciais, os grandes grupos estatais não são submissos às auditorias do Tribunal de Contas, nem são obrigados à reinvestir seus benefícios, tendo carta branca para dispor dos mesmos conforme seus próprios desejos.
Dirigidos por pessoas próximas ao primeiro-ministro, oriundas como ele dos serviços de segurança (ex-KGB), esses conglomerados formam grupos de pressão hábeis em negociar regimes preferenciais. Muitas vezes, o espírito liberal presente no governo recusou aos mesmos concessões e financiamentos. Mas em dezembro de 2008 o ministério das finanças anunciou que uma parte dos 101,4 bilhões de euros dos fundos de estabilização, deveria ser investido na indústria via esses conglomerados.
O Vnechekonombank, Fundo para o investimento, e a Agência encarregada do desenvolvimento das nanotecnologias foram os primeiros beneficiados. O financiamento das outras corporações será feito através dos rendimentos provenientes da venda dos ativos da major Ioukos, desmantelada e captada por Rosneft, depois da detenção do seu chefe Mikhaïl Khodorkovski, em 2003.
Animada pela pujança reconquistada, a Rússia ambiciona figurar, daqui até 2020, entre as cinco economias mais desenvolvidas do mundo. Para realizar essa ambição, Vladimir Poutine desvelou em setembro de 2007 um vasto programa de modernização das infra-estruturas e da indústria. Programado para dez anos, esse programa necessitará um financiamento de 685 bilhões de euros. O Estado assumirá 20%. Para o resto, serão solicitados investidores privados, notadamente estrangeiros. A atitude diante dos investidores estrangeiros, ao mesmo tempo cortejados e objetos de desconfiança, é ambígua. A Rússia necessita desses investimentos, mas ela quer limitá-los aos setores não-estratégicos da economia.
A renovação econômica assume os traços de capitalismo de Estado. Em 2008, o Estado prevê o investimento de 4,8 bilhões de euros no grupo de rede elétrica pública FSK e 3,4 bilhões de euros na agência federal atômica Rosatom. Até este ano o país fixou o objetivo de construir 4.000 km de novas estradas por ano. Uma tarefa enorme. A rede de vias férreas é insuficiente, as auto-estradas inexistentes e, do norte ao sul da Federação, a malha rodoviária provoca lástima.

Este plano ambicioso explica porque Vladimir Poutine parece determinado a marcar o amanhã do país , apesar do seu segundo mandato presidencial haver terminado em março de 2008 e da Constituição lhe interditar o exercício de um terceiro.
As legislativas de dezembro de 2007 , ganhas em 64% por seu partido, tiveram um fundo de campanha desequilibrado, de fraudes e de pressões eleitorais denunciadas por observadores internacionais, servindo de trampolim à perenização do seu poder: o candidato à sucessão, Dmitri Medvedev, atual Chefe de Estado e presidente de Gazprom foi , sem surpresas, eleito desde o primeiro turno de 02 de Março, com mais de 70% dos votos. Segundo um acordo feito pelos dois homens em dezembro de 2007, Vladimir Poutine tornou-se Primeiro Ministro durante a passagem do poder em maio.

ANÁLISE: EMMANUEL GAVACHE

terça-feira, julho 20, 2010

CAPITAL PSICOLÓGICO: O QUE SIGNIFICA?




Conceito de capital psicológico ganha espaço nas empresas

Na hora de planejar os recursos humanos da empresa, costuma-se pensa no número de funcionários e em sua capacitação, mas apenas do ponto de vista quantitativo. Quantas pessoas trabalham na empresa? Quantos têm ensino superior? Cristina Simón, sub-reitora de psicologia da Universidade Instituto de Empresa (IE), chama a atenção para a importância do capital psicológico nas empresas, da necessidade de se levar em conta e de valorizar a personalidade dos colaboradores como um ativo a mais da companhia. Em entrevista concedida a Universia Knowledge@Wharton, Simón explica de que maneira é possível fazer com que o conjunto de recursos humanos disponíveis produzam resultados melhores por meio do capital psicológico da empresa.

Universia Knowledge@Wharton: O que é o capital psicológico?

Cristina Simón: Entende-se por capital o conjunto de bens utilizados para o crescimento e o progresso. Da mesma forma que já se definiu o capital financeiro (“o que a pessoa tem”), o capital intelectual (“o que a pessoa sabe fazer”) e o capital social (“com quem a pessoa se relaciona”), entende-se por capital psicológico o “jeito de ser da pessoa”, isto é, o conjunto de características positivas da personalidade que empregamos em nossa vida profissional. Colocadas a serviço do ambiente de trabalho, essas características podem fazer diferença nos resultados obtidos. O que temos em mente, de modo especial, é a vontade (motivação voltada para o cumprimento de um objetivo), otimismo realista (confiança na resolução positiva de acontecimentos futuros), resiliência (capacidade de enfrentar regularmente condições adversas ou arriscadas) e autoconfiança (ou confiança na capacidade própria para atingir as metas propostas).
É importante frisar que esses quatro fatores podem ser aprendidos por qualquer pessoa e, portanto, podem ser incorporados aos programas de formação e de desenvolvimento das empresas.

UK@W.: De que maneira o capital psicológico afeta o mundo corporativo?

C.S.: Os estudos realizados até o momento mostram a existência de uma relação entre o nível do capital psicológico de um profissional e sua performance na empresa. É evidente que as pessoas dotadas de grande dose de resiliência e de otimismo realista, sobretudo nos dias de hoje, estão mais preparadas para enfrentar momentos de incertezas e de circunstâncias adversas. A Faculdade de Psicologia do IE iniciou um estudo com ex-alunos sobre a relação entre seu capital social e o sucesso alcançado em sua carreira de administração.
De igual modo, a combinação de traços como vontade e autoconfiança aumentam a tenacidade de quem busca a consecução dos seus objetivos. Além disso, os indivíduos dotados desses traços tendem a trabalhar com planos de negócios de longo prazo, o que é fundamental para a sustentabilidade, uma das grandes aspirações das empresa atualmente.

UK@W.: Com relação à vontade, ao otimismo, resiliência e autoconfiança, qual o peso de cada uma dessas características em um líder? Qual a mais importante?

C.S.: Conforme eu dizia anteriormente, o capital psicológico é um modelo muito recente, portanto não temos ainda condições de aferir com a precisão desejada a contribuição de cada um dos seus componentes, tampouco qual seria seu nível de equilíbrio ideal. Já há ferramentas para aferição do capital psicológico, e nesse sentido vale a pena destacar o trabalho de Fred Luthans no Instituto de Liderança da Universidade de Nebraska, em Lincoln. Ele é o pai desse conceito, que surgiu como resultado da aplicação dos princípios básicos do que se conhece como psicologia positiva — que se ocupa do estudo do comportamento humano do ponto de vista dos seus pontos fortes e de seus fatores positivos — ao mundo do trabalho e das empresas.
Dada a possibilidade que têm os líderes de dar exemplos de atitudes e de comportamentos a suas equipes, o desenvolvimento dessas capacidades pode levar a uma melhora generalizada do capital psicológico da empresa toda.
UK@W.: Do ponto de vista dos empregados, de que maneira esses perfis psicológicos se complementam?

C.S.: A exemplo do que acontece com outros tipos de competências, a combinação desses traços em diferentes pessoas unidas em torno de um objetivo comum pode levar a equipe a um desempenho de elevada eficácia, preservando ao mesmo tempo níveis de interação social excelentes. O capital psicológico poderá ter um efeito multiplicador sempre que diversas pessoas trabalham em conjunto.
Um aspecto especialmente importante desse tipo de capital é que ele eleva os padrões de bem-estar pessoal, o que sem dúvida resulta em índices de satisfação mais apurados no trabalho e em ambientes mais satisfatórios para os empregados.

UK@W.: Em tempos de crise, em que há cortes no quadro de pessoal e paira sempre a ameaça constante do desemprego, de que maneira é possível cultivar aspectos como a vontade, o otimismo, a resiliência e a autoconfiança? O que a empresa pode fazer para não queimar psicologicamente seus funcionários?

C.S.: O capital psicológico, como o próprio nome indica, leva em conta fatores próprios da pessoa, o que num contexto de crise a ajudam a superar momentos complicados de forma mais satisfatória. Seja como for, já comentei aqui que o capital psicológico pode ser desenvolvido. Isto significa que a empresa pode levar as pessoas a encarar as situações de crise com maior dose de otimismo realista, ou com atitudes mais flexíveis e de maior resistência à frustração e à depressão. Nesse sentido, a Gallup desenvolveu sua “prática baseada em pontos fortes” (strength-based practice) e a está implantando com sucesso nas empresas. De modo geral, essas práticas fornecem evidências sobre a importância de construir a empresa com base nos pontos fortes de seus funcionários, em vez de tentar “ajustar” o seu perfil ao exigido pela companhia. Essa mudança de enfoque pode ter consequências importantes para a gestão corporativa, e se aplica a situações vivenciadas no dia-a-dia, como as decisões de promoção de profissionais de perfis tecnicamente muito brilhantes, porém pouco motivados para as tarefas que cabem a um gestor realizar. Disso resulta um afastamento do funcionário de seus pontos fortes, sendo atribuídos a ele trabalhos nos quais se sente pouco confortável e capacitado, o que repercute nas equipes e no ambiente de trabalho de modo geral.

UK@W.: O que o empregado pode fazer em relação à situação atual do emprego?

C.S.: Muitos se angustiam porque se sentem indefesos, o que coloca em perigo as circunstâncias básicas de sua vida, como a preservação do status familiar, a estabilidade de suas condições financeiras etc. Essa percepção de fragilidade vivenciada dia após dia num contexto de incertezas se traduz em transtornos psicológicos graves para boa parte dos trabalhadores. O conselho de psicólogos espanhóis diz que a frequência das consultas sobre esse tipo de assunto teve uma alta de 15% nos últimos meses.
As características do capital psicológico já mencionadas, sobretudo a resiliência e o otimismo realista, podem ajudar a melhorar a percepção da crise econômica. De modo especial, a adoção de uma visão otimista das circunstâncias — não me refiro aqui a uma ilusão “tola” cor-de-rosa — pode ajudar a melhorar a situação pessoal a longo prazo. A forma como percebemos o mundo e o nosso entorno é parte fundamental do processo de tomada de decisões com base no qual construímos nosso futuro no dia-a-dia. A ideia popular do copo “meio cheio ou meio vazio” é um bom exemplo disso. Conscientes de que temos apenas meio copo disponível — um dado objetivo —, a ideia de que devemos seguir adiante para construir e desfrutar a outra metade é fundamental para orientar nossas decisões cotidianas pelo caminho certo, tanto no âmbito pessoal quanto no do trabalho.

UK@W.: Os departamentos de Recursos Humanos levam em conta o capital psicológico? Que tipo de medidas estão sendo postas em prática?

C.S.: Creio que ainda é cedo para falar em implantação de práticas que levem em conta o capital psicológico. O conceito deverá se estender pela empresa através dos programas de formação e de desenvolvimento (sem dúvida impulsionados pelas práticas de coaching).
Embora o modelo seja ainda bastante recente e, portanto, passível de resultados genéricos, é bastante provável que o conceito de capital psicológico substitua a inteligência emocional como ferramenta de desenvolvimento de gestores e empregados, uma vez que desempenha o duplo papel de produzir melhores resultados e, o que vem se tornando cada vez mais importante, o de criar ambientes de trabalho mais sadios.

sexta-feira, julho 09, 2010

O MEDO À LIBERDADE II- FILME RAPA-NUI

Um filme emblemático no que se refere ao MEDO À LIBERDADE do homem, análise feita por Erich Fromm, é RAPA-NUI, antigo nome da Ilha de Páscoa.
O filme mostra claramente os abusos de poder, através de uma sociedade dividida em duas castas: dominantes e dominados. Os dominados constroem os famosos MOAIS sob o estalo de chicotes na pele e outras formas de subjugação.
Porém no final, quando ocorre a revolta e os papéis ficam invertidos, os antigos torturados passam a ter o mesmo comportamento que seus torturadores, agindo igual ou pior aos mesmos.Dessa forma, não ocorre uma real mudança e sim apenas uma inversão no jogo de papéis.

QUEREMOS REALMENTE MUDANÇAS, OU APENAS PERTENCER À CLASSE DOMINANTE?

"Na longa e praticamente contínua batalha pela liberdade, contudo, as classes que lutavam contra a opressão em determinada fase, uma vez obtida a vitória, enfileiravam-se ao lado dos inimigos da liberdade para defender novos privilégios".
Erich Fromm, O MEDO À LIBERDADE